Como aumentar a visibilidade e a participação — cívica e associativa — das mulheres agricultoras?


Projeto promovido pelo Politécnico de Viseu, com financiamento do Programa Conciliação e Igualdade de Género pelo EEA Grants, está a trabalhar no terreno com mulheres agricultoras de S. Pedro de Sul e Sabugal e vai permitir a co-construção de um projeto de intervenção

No próximo dia 27 de maio, quinta-feira, o projeto MAIs – Mulheres Agricultoras de Territórios do Interior realiza um seminário de apresentação, em formato híbrido, a partir do Balneário Rainha D. Amélia, em S. Pedro de Sul. O encontro vai ser transmitido online, pelos vários parceiros, através desta ligação.

MAIs – Mulheres Agricultoras em Territórios do Interior, projeto promovido pelo Politécnico de Viseu, com financiamento do Programa Conciliação e Igualdade de Género no âmbito dos EEA Grants, pretende aumentar a participação cívica e associativa das mulheres agricultoras nas regiões do interior, através da sua capacitação, contribuindo para a maior visibilidade do seu papel social e para o aumento da igualdade entre homens e mulheres.

As mulheres agricultoras são um grupo vulnerável, muito invisível, social e politicamente, em particular devido ao envelhecimento, padrões de produção agrícola, organização social (posse da terra, acesso ao crédito, educação, etc.), a que se somam dificuldades associadas às alterações climáticas, degradação ambiental e acesso a novas tecnologias.

O projeto está no terreno desde 2020, com a realização de dois grupos focais com mulheres agricultoras de S. Pedro de Sul e Sabugal. De acordo com Cristina Amaro da Costa, coordenadora do projeto, “partimos destas rodas de conversa com mulheres agricultoras, para iniciar um processo de co-construção de um caminho de mudança que resultará da vontade destas mulheres em iniciarem um projeto futuro que, a partir da sua valorização, contribua para melhorar as suas condições de vida, aumentar a sua visibilidade e participação no panorama local, regional e nacional. O papel essencial das mulheres agricultoras, em particular em contexto de agricultura familiar, incluindo as questões do trabalho, da família, na conservação da biodiversidade e dos ecossistemas, deve ser reconhecido por todos.”

Um dos objetivos do MAIs é a construção de um roteiro de ação para o empoderamento das beneficiárias que abordará os conteúdos técnicos e de desenvolvimento pessoal necessários para a sua capacitação.

Para o levantamento de dados no terreno, como a identificação e caracterização socioeconómica das mulheres que se dedicam à agricultura familiar, e a compreensão e avaliação do papel que desempenham na organização da exploração e da família, o MAIs vai recorrer a um conjunto variado de instrumentos participativos, enquanto projeto de intervenção baseado na Teoria da Mudança, desde a fase de diagnóstico, à intervenção e avaliação.

O SEMINÁRIO

Na sessão de abertura de “MAIs.Mulheres Agricultoras de Territórios do Interior. O desafio”, com início às 10h30, estarão os Presidentes do Município de S. Pedro de Sul e do Politécnico de Viseu, Vitor Figueiredo e João Monney Paiva, respetivamente, e Sandra Ribeiro, Presidente da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG).

O Seminário incluirá intervenções de entidades oficiais das áreas da inclusão e da agricultura: Rosa Monteiro, Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, e Maria do Céu Antunes, Ministra da Agricultura, às quais se junta o testemunho de Luís Costa/Binaural Nodar e a estreia da reportagem “A terra/mulher produtiva” de Filipa Jesus e Igor Ferreira/Jornal do Centro.

O MAIs será apresentado por Cristina Amaro da Costa, coordenadora do projeto, seguindo-se o depoimento da Ruralis – Institute for Rural and Regional Research, que falará de mulheres agricultoras na Noruega.

São parceiros do projeto, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCSH), a Confederação Nacional da Agricultura – CNA, a Oikos – Cooperação e Desenvolvimento (ONGD), as Câmara Municipais de S. Pedro do Sul e Sabugal, a Associação da Bio-Região (ABRE) de S. Pedro do Sul e a Ruralis – Institute for Rural and Regional Research.